O que fazer

Saiba como agir se for vítima de uma prática tradicional nefasta ou se conhecer alguém que precise de ajuda.

Se for vítima

Reconhecer o risco

  • Pode estar em risco se estiver a ser pressionada/o para casar contra a sua vontade;
  • Se houver planos de viagem para o estrangeiro que não controla ou que lhe são impostos;
  • Se estiver a ser vigiada/o, isolada/o ou impedida/o de tomar decisões sobre a sua vida;
  • Se sofrer ameaças ou violência por causa do seu comportamento, relações afetivas, ou por ser uma pessoa LGBTI+;
  • Se existir risco de ser submetida a mutilação genital feminina.

Garantir a sua segurança

  • Se suspeitar de casamento forçado ou viagem iminente, procure ajuda antes da deslocação — após sair do país, pode ser mais difícil obter proteção;
  • Evite partilhar planos de fuga ou pedidos de ajuda com pessoas que possam estar envolvidas na situação;
  • Tenha consigo, sempre que possível, documentos importantes (cartão de cidadão, passaporte) ou cópias dos mesmos;
  • Identifique previamente um local seguro fora do ambiente familiar (escola, hospital, casa de alguém de confiança, instituição);
  • Memorize contactos de emergência (caso fique sem acesso ao telemóvel);
  • Em situação de perigo imediato, contacte 112.

Recolher provas e indícios

  • Registe ou guarde:
    • Conversas sobre casamento, viagens ou “decisões familiares” impostas;
    • Ameaças relacionadas com honra, reputação ou vergonha familiar;
    • Mudanças súbitas no seu controlo de liberdade (retirada de telemóvel, impedimento de sair/estudar);
  • Tome nota de datas importantes (ex.: viagem marcada, cerimónias planeadas);
  • Sempre que possível, partilhe esta informação com alguém de confiança fora do contexto familiar.
Como denunciar?

A denúncia de situações relacionadas com práticas tradicionais nefastas é essencial para garantir a proteção das vítimas e prevenir a continuação destas formas de violência. Qualquer pessoa que tenha conhecimento, suspeita ou indícios de que alguém está em risco deve comunicar às autoridades competentes. A denúncia não só permite uma intervenção atempada, como pode salvar vidas e assegurar o acesso da vítima a apoio e proteção adequados.

Estas práticas — como casamentos forçados, mutilação genital feminina ou crimes cometidos em nome da “honra” — constituem violações graves dos direitos humanos e são punidas por lei em Portugal. Por esse motivo, não devem ser ignoradas ou relativizadas com base em argumentos culturais ou sociais.

A denúncia em casos de práticas tradicionais nefastas tem características específicas, porque muitas vezes:

  • As pessoas agressoras são familiares diretos;
  • Existe pressão coletiva (família alargada ou comunidade);
  • O risco pode agravar-se rapidamente, especialmente em situações de deslocação ao estrangeiro.

As denúncias podem ser apresentadas junto das seguintes entidades:

Ministério Público (MP)
Polícia Judiciária (PJ)
Polícia de Segurança Pública (PSP)
Guarda Nacional Republicana (GNR)

Porque é especialmente importante nestes casos:

  • A intervenção precoce pode impedir que a prática aconteça;
  • Em situações internacionais, agir cedo pode evitar a saída do país;
  • Permite ativar mecanismos de proteção específicos para vítimas em risco familiar;
  • Pode literalmente salvar vidas em contextos de crimes de “honra”.
Que apoio é que a APAV me pode prestar?

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) é uma organização sem fins lucrativos que tem como missão apoiar vítimas de todos os crimes, seus familiares e pessoas amigas, prestando-lhes serviços de qualidade de forma gratuita e confidencial, através da sua Rede Nacional de Gabinetes de Apoio à Vítima e da Linha de Apoio à Vítima – 116 006 (disponível nos dias úteis, das 08h às 23h).

A APAV realiza acompanhamento em diligências e, conforme as necessidades identificadas, presta apoio emocional, informações e apoio prático, apoio psicológico, jurídico e social.

Pode intervir, entre outras formas, através das seguintes ações:

  • °Prestação de informações sobre o crime sofrido e como o denunciar;
  • °Ajudar a vítima a conhecer e a exercer os seus direitos
  • °Apoiar a vítima em todos os contactos e diligências com as autoridades policiais e Tribunais, quando para isso não seja obrigatório ter advogado/a;
  • °Prestar apoio psicológico, dando ferramentas que a ajudem a reassumir o controlo da sua vida
  • °Apoio no acolhimento de emergência e acionamento de outros apoios sociais.